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Sex, 08 de Março de 2013 10:55
Ao me preparar para discorrer sobre este assunto, preferi referências de conteúdo religioso, como pode ser visto abaixo, e escolhi por título um estrangeirismo antigo, para melhor demonstrar que o tema foi motivo de preocupação, mesmo antes de surgir o cristianismo.Trata-se de uma atitude corriqueira, banalizada, para a qual damos pouca importância, mas tem significado social relevante. Há palavras para expressa-la nos muitos idiomas. Todos nós já fomos vítimas desta atitude e provavelmente vitimamos alguém, até mesmo sem saber. Lashon Hará em hebraico vem a ser “língua má”, é a maledicência. O dicionário informa que maledicência é de origem latina, vem de “maledicentia” e quer dizer: 1- ação ou ato de dizer mal dos outros; 2- difamação, detração, maldizer; 3- comentário maldoso; 4- ofensa por palavras.

O judaísmo condena lashon hará porque traz graves conseqüências à vida daqueles que a praticam e também dos ouvintes. É atitude mortal e quem a pratica mata mais que um homicida, pois mata a si mesmo, ao ouvinte e a vítima. Multiplica-se indefinidamente se feita em público ou em veículo de comunicação. Lashon hará tem sido arma usada por muitas pessoas para derrubar aqueles que não lhe são queridos, denegrir e destruir vidas e até mesmo bons trabalhos que estão sendo feitos. Como é grave alguém veicular uma maledicência, sem dar a fonte de tal conversa! A maioria dos ouvintes, despreparada, não questiona a origem nem veracidade da informação e sai repetindo como se fosse verdade. Lashon hará transforma a pessoa que a pratica e trás sobre ela graves conseqüências. Lashon hará provoca inimizade, afastamento e desarmonia. É condenada em escritos do Midrash, do Talmud e da Cabala. Não se deve falar, repetir, escutar e acreditar em lashon hará. Observação negativa verdadeira sobre outra pessoa deve ser evitada. Em determinadas circunstâncias, para proteger alguém de danos, é permitido e até mesmo obrigatório compartilhar informações negativas, com extremo cuidado e reserva para evitar injustiça.

Frases sobre “Lashon Hará”
1-A moral é frequentemente o passaporte da maledicência. Napoleão Bonaparte
2-Quem propaga a maledicência atrai o mal sobre si mesmo. Textos Judaicos
3-Calarei os maldizentes continuando a viver bem; eis o melhor uso que podemos fazer da maledicência. Platão
4-Aquele que te entretêm com os defeitos dos outros, entretêm os outros com os teus. Denis Diderot
5-Normalmente a maledicência é mais uma questão de vaidade que de malícia. François La Roche Foucauld
6-Aqueles cuja conduta mais dá para troçar são sempre dos outros o primeiro a falar. Jean Molière
7- Com ela (a língua) bendizemos o senhor nosso pai, e com ela maldizemos os homens, feitos à semelhança de Deus. Apostolo Tiago ( Tia 3:9)
8-Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Apostolo Mateus (Mt 7:3)
9-Ficam a ver brotoejas nos outros quando tem o corpo coberto de feridas. Sêneca, em “Sobre a Felicidade”
10-O paraíso é vedado aos que se mergulham na maledicência. Imám Al-Báquer

A maledicência é um dos maiores flagelos da humanidade, segundo texto espírita. Pior que agressão física, fere a dignidade humana e a reputação. Destrói existências. Mais insidiosa que epidemia. Na forma de boato, do “ouvir dizer”, alastra-se sem permitir reparação. Arma perigosa, fácil de usar, está ao alcance de qualquer pessoa com um pouco de maldade no coração. Instância judiciária corrupta, o réu invariavelmente ausente, é acusado, julgado e condenado, sem direito a defesa, sem contestação e misericórdia. Não implica nenhum compromisso da parte de quem a emprega e pode ser que jamais encontraremos o autor de um boato maldoso. Ninguém está livre da maledicência, nem mesmo os que se destacam na vida social e profissional, pela capacidade de realização. Estes são até mais visados, pois deve ser gratificante ao maledicente dizer que alguém não é tão bom quanto se pensa. Não há agrupamento humano livre da maledicência, está até em instituições inspiradas em ideais religiosos a serviço do bem. Provocando afastamentos, aniquila as promissoras esperanças de realização espiritual. A maledicência tem sua origem no atraso moral do ser humano, que atingiu níveis elevados de saber científico, indo à lua, decifrando códigos genéticos e desintegrando o átomo. Entretanto, moralmente somos subdesenvolvidos, agressivos, inconseqüentes, trogloditas, parecendo ainda habitar as cavernas. Nossa aparência de civilidade nos impede de usar o tacape, mas usamos a língua com o propósito de autoafirmação e vingança. O maledicente não se dá conta que seu vício é um ato de autofagia, gera no autor um clima de desajuste íntimo e autodestruição.

O Islã condena a prática de “gheebah”, maledicência em árabe, por ser um vício que corrói o tecido da sociedade. É proibida por ALLAH e quem a pratica incorre em sua ira. As pessoas maledicentes expõem não só as falhas dos outros em encontros sociais, elas expõem suas próprias fraquezas. A maneira mais simples de avaliar este proceder é pensar assim: se ele pode maldizer outros diante de mim, pode me maldizer também diante dos outros, quando estiver ausente. As pessoas se detém, e evitam a amizade dos maledicentes, receosas que suas deficiências sejam expostas em boataria. O vício de falar mal corrói as boas obras. As boas ações que se fez no passado se perdem. O Islã proíbe a maledicência em sua totalidade. Um sorriso ou expressão facial de desdém, um olhar de desprezo ou gesto de zombaria não são permitidos. “Você sabe o que é gheebah? Allah e seu mensageiro sabem melhor. É quando você menciona algo sobre o seu irmão que ele não gosta. Se diz verdade, então você está maldizendo contra ele, e se não for verdade, então você está difamando ele”. Gheebah é haram, mas atenção, é necessário ter senso crítico para prevenir-se em relação aos malfeitores, com muito cuidado para evitar injustiça.

“Rejeitai, portanto, toda a maldade e toda a astúcia, toda a forma de hipocrisia, inveja e maledicência”(1Pe. 2.1). A mensagem Evangélica usada como referência inicia por esta citação. Havia impedimentos ao crescimento da Igreja de forma coletiva e Pedro destacava este vício como obstáculo a ser removido. A palavra maledicência significa dizer mal ou falar mal. Como crentes em “Jesus”, somos advertidos a abandonar esta prática. “Agora, porem, despojai-vos, igualmente de tudo isto: Ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena no falar”( Col.3.8). Se os escritos sagrados abordam este tema em diversas passagens, devemos considerar que estamos diante de um assunto muito sério. Abandone este vício que impede nosso crescimento e também o dos outros. Para estar na presença do senhor precisamos vencer este pecado. “O homem perverso espalha contendas, e o difamador separa os maiores amigos”(Pr. 16.28). “Sem lenha, o fogo se apaga; e não havendo maldizente, cessa a contenda”(Pr. 26.20). Praticar a maledicência é acionar uma lei espiritual que vai te colocar em desvantagem e te trazer prejuízo. Quando Deus te adverte, Ele está preocupado é com você, querendo te proteger. Ao emprestamos o ouvido à maledicência estamos participando do pecado.

Eleições 2.012. Em Vitória-ES, no horário eleitoral gratuito, regulamentado pelo TRE, um candidato apareceu na televisão cheirando uma “Bíblia”, gesto interpretado por comentarista político como uma insinuação maledicente contra um dos adversários. Interpretação razoável, pois nenhum catecismo diz que a mensagem deve ser absorvida pelas narinas. Noticiou-se também que a insinuação foi terceirizada, isto é, um candidato não querendo parecer difamador, encomendou o ataque a um outro sem chances. Em nenhum momento se disse que estava em disputa o poder sobre um orçamento de 1,64 bilhões de reais para 2.013. Em São Paulo-SP, o discurso falando mal do adversário ocupou grande parte das mensagens publicitárias e o noticiário político disse que o candidato que mais se excedeu nos ataques foi rejeitado pelos simpatizantes do próprio partido. Ao discurso maledicente agregaram-se argumentos moralistas e puritanos de pregadores. Um cientista político da USP disse que este tipo de discurso não funciona nas grandes metrópoles. Muito pouco se noticiou que o que estava em disputa era o terceiro maior orçamento do país. Os publicitários, também chamados marqueteiros, e os comentaristas políticos, estão usando o termo “desconstruir”, para encobrir a velha prática da maledicência e da difamação, vícios morais condenados antes do cristianismo. Ganham milhões com este vício. É uma mina, por meio dele se busca o poder sobre o orçamento de 5.500 municípios brasileiros.

Este vício banalizado pode ser comparado com os hábitos de alguns animais. Nas florestas há os que marcam seus territórios impregnando-o com o odor de seu suor ou de seus dejetos. Há homens que para afirmar-se em um grupo, sobressair-se perante aos demais, não resistem e se dão ao uso da difamação. Até pouco tempo, os animais de trabalho, usados em tração, eram estimulados a moverem-se mais agilmente quando espetados por um ferrão de metal. Pela banalização do falar mal e o noticiário sensacionalista negativo, parece que a maledicência é o ferrão do gado humano. “O mundo é constituído pelo vulgo”. “Todos podem ver e ouvir”. Há intelectuais caros ocupados com isto. Estamos preocupados com a violência. Mas devemos questionar se o vício em questão não é também uma violência, porque tem feito infeliz a muitos. É necessário estarmos alertas para não nos sujeitarmos a este método de convencimento. É preciso ser mais racional. A quem desejar estudar o assunto, recomendo as palavras chaves “lashon hará”, “gheebah” e “a maledicência segundo a psicologia”. O capítulo 28:15-30 de Eclesiástico trata do tema. Nos comentários sobre lashon hará, com freqüência surge a palavra lepra. A mensagem Evangélica se fundamenta em citações do L:. da L:..

E por tratar-se de vício já banalizado, não o percebemos, mas é um mau costume grave. Tem sido muito usado para influenciar pessoas, há até mesmo quem não consiga sobreviver sem praticar a maledicência. É muito provável que esteja associado ou derive da soberba, um vício capital, um vício cabeça. Costuma estar acompanhado da ira e da intemperança. Manifesta-se devido à fraqueza, mas tem feito grandes estragos em meio aos F:. da V:.. Por causa deste vício, artífices talentosos deixaram os canteiros de obras e nas pedreiras já se ouve menos o barulho de metal do maço no cinzel. A palavra Irmão, é mero “termo técnico”. É necessário refletirmos sobre este assunto e a maneira mais eficiente de combater a maledicência é tratarmos dela explicitamente em nossas oficinas. Precisamos ser vigilantes e desacreditar esta prática. Todas as religiões tiveram o cuidado de combatê-la, pois, do ponto de vista da sociologia, as religiões são fatores de coesão social. Como dito acima, não há agrupamento humano livre deste vício moral. Quando nós começamos a desbastar a P:. B:., devemos apontar o cinzel na direção desta aspereza de caráter, porque se não o fizermos, as pedras não poderão ser aferidas pelo nível e pelo prumo. As paredes não poderão ser rebocadas e surgirão trincas nos capitéis coríntios.

Vila Velha, dezembro de 2.012
Gerson Merçon Vieira
G:.L:.M:.E:.E:.S:. – A:.R:.L:.S:. Republicana Nº25
CD 3.875
Referências
1- Attuch, Leonardo. O PSDB Ainda Tem Futuro. Revista Isto É, p 45, Editora Três, São Paulo-SP, 24-10-12
2- Amorim, Radanezi. In “Praça Oito”, coluna de política. Jornal A Gazeta, p18, Vitória-ES, 13-10-12.
3- Khadija. A Maledicência. Disponível em: < http://br.dir.groups.yahoo.com/group/Islamismo_online/message/202>. Acesso em 10-10-12.
4- Farroqi, Sadaf. Como Abster-se das Fofocas. Traduzido por Danielle Aisha. Disponível em: <http://txtsislamicos.wordpress.com/2012/06q15/como-abster-se-das-fofocas/>. Acesso em 10-10-12.
5- Moreno, Mário. Lashon Hará. Disponível em: <http://www.shemaysrael.com/artigos/125-escrituras/2411-lashon-hara.htm>. Acesso em 13-10-12.
6- Moura, Pedro Marcondes de ; Rodrigues, Alan. A Política das Agressões. Revista Isto É, p 38- 42, Editora Três, São Paulo-SP, 24-10-12,
7- Simonetti, Richard. Maledicência. Comentário disponível em: < http://www.spiritismo.de/Maledicencia.htm>. acesso em 10-10-12.
8- Subirá, Pastor Luciano P. Maledicência. Disponível em: < http://www.vivos.com.br/426.htm>. Acesso em 13-11-12.

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Última atualização em Sex, 08 de Março de 2013 11:12
 
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